Uma cidade inteligente implica que as pessoas que nela vivam sejam inteligentes. Façamos já a distinção: uma tonelada de processadores e antenas em cima de um milhão de idiotas não resolve problema nenhum a comunidade alguma, que não se organize ou queira entender o que é a vida em sociedade.
Ponto prévio feito, vamos à coisa em si. Dizem os arautos, os engenheiros, as computadoras e os mercados que não há volta a dar: as cidades vão ser espertas. Daqui a anos, a acreditar na melhor informação disponível, não há rua sem compostagem e reaproveitamento de energia renovável, para-brisas sem sistema de navegação, cidadão sem biometria, georreferenciado e ligado ao médico de família que recebe alertas em directo sobre o estado de saúde da clientela.
Não há sol que não tisne o híbrido que vai sair da cabeça dos antigos engenheiros de F1 da Renault, que ameaçam há anos o carro a ar comprimido e a energia solar, controlado totalmente pela auto-navegação nas estradas.
Mas as smart cities são velhas. O conceito está nos deliciosos romances dos anos do pós-guerra, quando Phillip K Dick, Arthur C Clarke e outros autores de ficção científica previam já a maravilha da rede, da informação integrada, das analises permanentes. Depois, diferiam se a cidade esperta era boa: ou na utopia ou na distopia, havia sempre quem concluísse que o drama estava no uso, não na tecnologia.